3 – A Chama da Dignidade (Quando as Nuvens Dançam – Reflexões de Quarta-Feira)

Dignidade é o que nos mantém em pé. O chão sem o qual perdemos nossa humanidade. É uma característica universal da existência humana. Não ser digno é não reconhecer a grandiosidade da própria experiência e não perceber que os outros a compartilham também, mesmo que inconscientes do privilégio fundamental.

Dignidade é respeito integrado. Ainda uma raridade, merece ser cultivada com o cuidado e a tenacidade de quem nada tem a provar. É a capacidade de olhar de novo. Reconhecer o ser no estar. Não depende da idade, da aparência, das posses, dos conhecimentos. É a postura que se traduz em ação, nas escolhas que fazemos, na forma de ser, de falar, de estar, de enxergar no outro a essência do que se é. Não é só entender, é sentir que o futuro é de quem se entende parte do todo e o todo como parte de si.

Dignidade é poder e saber viver bem para poder e saber morrer bem. A busca de todos e de cada um. Não são os meios-caminhos, as pequenas e grandes desculpas, quando a gente se engana, a si e aos outros. É o que permanece na adversidade, a resiliência na tempestade. O caminho do meio, ancorado na mudança. A luz que se expande no que é limitado e infinito, ao mesmo tempo. 

Dignidade é a beleza de quem se entende viajante. O grito do mundo que tem que acabar para renascer diferente.